Novos tipos de leitores e novos tipos de
raciocínio na Era Digital
Impressões da leitura do livro Navegar no Ciberespaço, de Lucia Santaella
Ao
ler o livro “Navegar no Ciberespaço”, de Lucia Santaella (2004), uma forte
inquietação nos assoma, pois somos levados a refletir sobre o futuro do livro
impresso, o livro de papel, tal qual conhecemos hoje e que tem raízes desde a
época do Renascimento.
Essa
reflexão se faz acontecer porque a autora aborda sobre a disseminação, em nosso
século, de novos suportes e estruturas – eletrônicos, híbridos, alineares –
para o texto escrito, fazendo surgir, concomitantemente, novo tipo de leitor: o
da hipermídia, o multitarefa, conectado, aquele que pensa e age em rede.
O conflito
intensifica-se no chão da sala de aula, quando o perfil do aluno vem sendo modificado,
cada vez mais, pela rotina permeada de ações informatizadas, digitais, a “um
polegar de distância”. Percebemos, então, que claramente há um choque de
gerações dentro dos muros escolares. Isso mesmo: dentro dos muros escolares
porque esse choque não é sentido com tanta nitidez nos espaços sociais fora da
escola, uma vez que temos aparelhos “inteligentes” em nossa rotina e que
vivemos em rede o tempo todo. A Internet modificou nossas ações, facilitando
acessos, promovendo conhecimentos, encurtando distâncias, incrementando
exemplos, alargando barreiras de tempo e espaço.
Então,
somos levados a questionar uma série de pontos sucessivos e complementares
entre si: que tipo de leitor somos: o
contemplativo (o do livro impresso e da imagem fixa), o movente (o do mundo em
movimento, dinâmico) ou o imersivo (o que surgiu a partir dos novos espaços
virtuais)? E que tipo de leitor é nosso aluno? E como desenvolver – se é que é
possível – os vários tipos no aprendiz? E quais as implicações de cada tipo no
processo ensino-aprendizagem?
A leitura
do texto nos provoca mais uma inquietação: que tipo de raciocínio traz nosso
aluno internauta: o abdutivo, o indutivo ou o dedutivo? Aquele raciocínio
típico dos iniciantes, aquele intermediário que faz deduções ou aquele que já “manja”
do ciberespaço e consegue navegar a contento? E o melhor: como aproveitar cada
tipo de raciocínio no processo ensino-aprendizagem?
Santaella,
sem dúvida, consegue mexer com nossa curiosidade e nos fazer desejar descobrir
um pouco mais, e mais conscientemente, sobre como se dão determinados detalhes
da ligação do mundo digital com o mundo escolar, culminando em uma aprendizagem
que seja eficiente e eficaz por ter a cara do mundo atual.
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