quinta-feira, 13 de abril de 2017




Novos tipos de leitores e novos tipos de raciocínio na Era Digital
Impressões da leitura do livro Navegar no Ciberespaço, de Lucia Santaella

           
          Ao ler o livro “Navegar no Ciberespaço”, de Lucia Santaella (2004), uma forte inquietação nos assoma, pois somos levados a refletir sobre o futuro do livro impresso, o livro de papel, tal qual conhecemos hoje e que tem raízes desde a época do Renascimento.
      Essa reflexão se faz acontecer porque a autora aborda sobre a disseminação, em nosso século, de novos suportes e estruturas – eletrônicos, híbridos, alineares – para o texto escrito, fazendo surgir, concomitantemente, novo tipo de leitor: o da hipermídia, o multitarefa, conectado, aquele que pensa e age em rede.
          O conflito intensifica-se no chão da sala de aula, quando o perfil do aluno vem sendo modificado, cada vez mais, pela rotina permeada de ações informatizadas, digitais, a “um polegar de distância”. Percebemos, então, que claramente há um choque de gerações dentro dos muros escolares. Isso mesmo: dentro dos muros escolares porque esse choque não é sentido com tanta nitidez nos espaços sociais fora da escola, uma vez que temos aparelhos “inteligentes” em nossa rotina e que vivemos em rede o tempo todo. A Internet modificou nossas ações, facilitando acessos, promovendo conhecimentos, encurtando distâncias, incrementando exemplos, alargando barreiras de tempo e espaço.
        Então, somos levados a questionar uma série de pontos sucessivos e complementares entre si: que tipo de leitor somos:  o contemplativo (o do livro impresso e da imagem fixa), o movente (o do mundo em movimento, dinâmico) ou o imersivo (o que surgiu a partir dos novos espaços virtuais)? E que tipo de leitor é nosso aluno? E como desenvolver – se é que é possível – os vários tipos no aprendiz? E quais as implicações de cada tipo no processo ensino-aprendizagem?
        A leitura do texto nos provoca mais uma inquietação: que tipo de raciocínio traz nosso aluno internauta: o abdutivo, o indutivo ou o dedutivo? Aquele raciocínio típico dos iniciantes, aquele intermediário que faz deduções ou aquele que já “manja” do ciberespaço e consegue navegar a contento? E o melhor: como aproveitar cada tipo de raciocínio no processo ensino-aprendizagem?
         Santaella, sem dúvida, consegue mexer com nossa curiosidade e nos fazer desejar descobrir um pouco mais, e mais conscientemente, sobre como se dão determinados detalhes da ligação do mundo digital com o mundo escolar, culminando em uma aprendizagem que seja eficiente e eficaz por ter a cara do mundo atual.

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