quinta-feira, 13 de abril de 2017

CURTA UM CURTA - atividade interdisciplinar no 1º ano do Ensino Médio Integrado do IF Sertão PE - Campus Santa Maria da Boa Vista


Olhamos em volta e vimos nossos alunos - cidadãos conectados, digitais, comunicando-se por meio de seus polegares, fazendo selfies e mandando bem nas histories e nos snaps.
Nos perguntamos como poderíamos aproveitar toda aquela capacidade, todo aquele mundo de possibilidades tecnológicas para incrementar nossas aulas... E por que não uma atividade interdisciplinar, convergindo os esforços e a criatividade deles para um grande produto final que envolvesse as Línguas Portuguesa, Inglesa, Espanhola e as Artes? Pensando em como unir nossas disciplinas e levar os alunos a usarem suas redes sociais e seus dispositivos eletrônicos para além do lugar-comum de enviar e receber mensagens escritas, de voz ou de imagem, o estalo se deu: UMA MOSTRA DE CURTA!!!

Para Português, eles fariam curtas sobre a passagem que sintetizasse a história de dois livros da Literatura Brasileira que haviam lido: O Quinze (de Rachel de Queiroz) e Vidas Secas (de Graciliano Ramos).

Para Inglês e Espanhol, eles traduziriam, nessas respectivas línguas, as frases da cena mais marcante da história, encenando, caracterizados e ambientados, apenas a cena escolhida, agora traduzida para uma língua estrangeira.

Para Artes, cada turma escolheria uma música popular brasileira que melhor representasse o enredo dos livros trabalhados e criaria uma coreografia, que seria filmada também em um ambiente que representasse a história de cada romance.

Filmagens prontas, fomos à edição. Edita-se cor, velocidade de ações, mexe-se no "vídeo tape", coloca-se legenda, música de fundo... Corta aqui, edita ali... Ufa! Tudo pronto.
Chega o grande dia da apresentação. Que rufem os tambores... 3, 2, 1 e... COMEÇA!

Embelezamento, risadas, comentários, admirações, palmas. E eis que o CURTA UM CURTA foi um sucesso de público e trouxe aos alunos das duas turmas de Ensino Médio outra visão acerca do que se pode inventar com um celular e alguns aplicativos e softwares. Além de terem aprendido sobre Literatura Brasileira, praticaram o Inglês e o Espanhol e aprenderam sobre nuances das Artes Cênicas, da Dança e da Música. 

Nota 10 pra eles; parabéns pra nós, que os temos para nos orgulhar assim! 

Vamos alfabytizar? – Impressão do leitura do texto Política educativa e cultura digital: entre práticas escolares e práticas sociais (Bonilla e Pretto)




          A alfabetização começa mais cedo na atualidade. E a alfabytização, então, antecede – muitas vezes – o próprio ato da fala. Longe de esperar pelas carteiras escolares e pelas canetinhas coloridas, as crianças dispõem de recursos que requerem somente a ponta de seus dedinhos e sua interação, cantando musiquinhas e observando imagens enquanto aprendem letras, formas, cores e quantidades.

          É claro que não é uma realidade total, geral, que atinge a todos igualmente. No entanto, já não se pode dizer que a cultura digital seja uma novidade desconhecida.

          Nós, professores, vivemos um dilema diante dessa nova realidade social que se estende à educacional: como aproveitar as políticas públicas voltadas ao firmamento e disseminação da cultura digital e das interações em rede sem o preparo profissional para trabalhar dentro da sala de aula, de modo a desenvolver as competências exigidas pela sociedade, as quais são atrativas por demais para nossos alunos e com as quais ainda não sabemos lidar a contento?

          Vemos também alguns entraves na execução das políticas públicas, que fazem as novidades esbarrarem na falta de infraestrutura, o que cria dificuldades reais para nossas crianças e jovens usufruírem como deveriam desse mundo virtual, tecnológico, digital. Assim, a analfabytização se propaga, colocando a muitos de nós, brasileiros, no status de iletrados quanto à utilização dos dispositivos eletrônicos que nos tornaria também “digitais em rede”!

A novidade em um dejavù – Impressões dos textos LETRAMENTO DIGITAL: UM TEMA EM GÊNEROS EFÊMEROS (Ribeiro) e LETRAMENTO DIGITAL: UNA NUEVA PERSPECTIVA CONCEPTUAL (Sabillón e Bonilla)





          Lembro-me de quando se começou a discutir o termo “letramento”. A consciência da necessidade de se preparar o aprendiz para a vida em sociedade, para a ação efetiva nas relações sociais, que ia além (ou que nem se precisava de fato) dos atos mecânicos de decodificar palavras, de produzir um texto e de realizar operações matemáticas. Com o passar do tempo, ao invés de se chegar a um entendimento comum sobre o termo, surgiram novas implicações e o termo foi-se alargando. Soares (2004) dá exemplos tais como “letramento básico e letramento crítico, letramento adequado e inadequado, letramento funcional e integral, letramento geral e especializado, letramento domesticador e libertador, letramento descritivo e avaliativo, etc.”.

          Agora se percebe a disseminação do termo “letramento digital”. Uma expressão controversa, que traz em si já as confusões do seu precursor “letramento” mais a delimitação constrangedora do adjetivo “digital”.
Haveria como se delimitar o digital? Não estamos num período todo digital? As relações, a mobília, as comunicações, tudo (ou quase tudo!) já não é digital?
Até que ponto um cidadão pode ser considerado um “iletrado digital”? Por que meios do sistema de mídias se pode medir esse tipo de letramento?
E na escola? Como vamos trabalhar o letramento e o letramento digital?

          Apesar das inevitáveis inquietações e dúvidas que os termos podem pressupor, o importante é que tenhamos em vista que o mundo digital abre uma imensa possibilidade de trabalhar no aluno (e em nós mesmos, como professores) a capacidade de interagir utilizando o que a sociedade dispõe através do vasto sistema de mídias. Além de conduzir o aluno a executar ações e a exercer sua cidadania perpassando pelo uso competente da palavra escrita e da falada, haveremos também que inseri-lo no mundo virtual, para realizar essas mesmas coisas, fazendo uso da mesma palavra escrita, mas embutida de todas as variantes que o mundo digital pode dar.

          Mais um desafio para o profissional que é o “software mais irado” de todos os tempos!



Novos tipos de leitores e novos tipos de raciocínio na Era Digital
Impressões da leitura do livro Navegar no Ciberespaço, de Lucia Santaella

           
          Ao ler o livro “Navegar no Ciberespaço”, de Lucia Santaella (2004), uma forte inquietação nos assoma, pois somos levados a refletir sobre o futuro do livro impresso, o livro de papel, tal qual conhecemos hoje e que tem raízes desde a época do Renascimento.
      Essa reflexão se faz acontecer porque a autora aborda sobre a disseminação, em nosso século, de novos suportes e estruturas – eletrônicos, híbridos, alineares – para o texto escrito, fazendo surgir, concomitantemente, novo tipo de leitor: o da hipermídia, o multitarefa, conectado, aquele que pensa e age em rede.
          O conflito intensifica-se no chão da sala de aula, quando o perfil do aluno vem sendo modificado, cada vez mais, pela rotina permeada de ações informatizadas, digitais, a “um polegar de distância”. Percebemos, então, que claramente há um choque de gerações dentro dos muros escolares. Isso mesmo: dentro dos muros escolares porque esse choque não é sentido com tanta nitidez nos espaços sociais fora da escola, uma vez que temos aparelhos “inteligentes” em nossa rotina e que vivemos em rede o tempo todo. A Internet modificou nossas ações, facilitando acessos, promovendo conhecimentos, encurtando distâncias, incrementando exemplos, alargando barreiras de tempo e espaço.
        Então, somos levados a questionar uma série de pontos sucessivos e complementares entre si: que tipo de leitor somos:  o contemplativo (o do livro impresso e da imagem fixa), o movente (o do mundo em movimento, dinâmico) ou o imersivo (o que surgiu a partir dos novos espaços virtuais)? E que tipo de leitor é nosso aluno? E como desenvolver – se é que é possível – os vários tipos no aprendiz? E quais as implicações de cada tipo no processo ensino-aprendizagem?
        A leitura do texto nos provoca mais uma inquietação: que tipo de raciocínio traz nosso aluno internauta: o abdutivo, o indutivo ou o dedutivo? Aquele raciocínio típico dos iniciantes, aquele intermediário que faz deduções ou aquele que já “manja” do ciberespaço e consegue navegar a contento? E o melhor: como aproveitar cada tipo de raciocínio no processo ensino-aprendizagem?
         Santaella, sem dúvida, consegue mexer com nossa curiosidade e nos fazer desejar descobrir um pouco mais, e mais conscientemente, sobre como se dão determinados detalhes da ligação do mundo digital com o mundo escolar, culminando em uma aprendizagem que seja eficiente e eficaz por ter a cara do mundo atual.