Selfies. Câmeras. Celular. Perfil. Capa. Snapchat. Filtros. Vitrines. Editorial de moda. Canal no Youtube. Televisão. Vídeochamada. Linha do tempo. Álbuns. Galeria. E espelho. Ah, o bom e velho espelho, mais amado que nunca. E mais diversificado que nunca!
São diversas as formas - hoje - de se buscar a imagem, de se divulgar a imagem, de se utilizar a imagem. E a famosa pergunta dos contos de fadas está cada vez mais em voga: "Espelho, espelho meu, existe alguém mais bela do que eu?" Ah, se aquela madrasta má soubesse que sua máxima iria ser tão usada...
Só que agora, temos mais variação também na famigerada pergunta: "existe cabelo mais belo que o meu?", "existe corpo mais delineado que o meu?", "existe namorado(a) mais gostoso(a) que o meu?", "existe pessoa mais sortuda/feliz/animada do que eu?" [...]
Sim, nosso "baú do tesouro" agora é a imagem. Aquela mesma imagem que inquietou os físicos do final do século XIX, quando se transformou a imagem em ponto de partida para a compreensão de fenômenos que "balançavam" o mundo científico. Mas também é a mesma imagem que já se buscava antes, há tantos anos, por nossos precursores, na simplicidade do dia-a-dia, quando se desejava apresentar uma imagem digna, formal, séria, socialmente aceita, para agradar ao outro talvez mais que a si mesmo.
E a imagem vai se fazendo presente numa simbologia que furta das palavras sua função primeira: informar, dizer, declarar, externar... Tudo supre a imagem: a roupinha rosa ou azul do recém-nascido, a aliança no anelar direito ou esquerdo, as vestes de cor preta, o moicano no cabelo, a conquista da faixa verde/azul/roxa/preta, o pisca-pisca nas fachadas, o semáforo, o cigarro, o cabelo cacheado, a bandana na cabeça, o arco-íris bordado na camiseta ou impresso no adesivo automotivo, o legalzinho do "curtir"...
Já chegamos ao limite? Ainda não. Ainda há que se aprender a utilizar melhor a imagem na escola, transcendendo esta ou aquela disciplina curricular, ultrapassando esta ou aquela área de conhecimento, resumindo ou externizando um pensamento, uma compreensão, um daqueles "eureka!" que traduzem a felicidade mais genuína de quando se entendo algo considerado nã-entendível!
E mais: há que se lembrar da imagem que marcou, que fez sorrir, que se amou, que se buscou, que se construiu... Das tantas imagens que tecem nossa realidade, nossa vida. Porque a imagem que está na memória nos faz esses seres analógicos que podem conviver com as mudanças e podem modificar o convívio.