segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

O desenvolvimento tecnológico e a evolução da comunicação - desafios do nosso tempo!

          Ao ler o texto de Alex Primo, imaginei um ventríloco verbalizando meus pensamentos. Toda a questão da análise da tecnologia, com cada tempo mostrando a sua, com cada povo inventando e vivendo determinados tipos dela, fez ligação direta com vários discursos já vivenciados por mim a respeito desse conceito tão atrativo e tão facilmente confundido por alguns colegas (por vezes, de classe; por vezes, de trabalho). Lembrei-me da primeira vez em que ouvi a explicação dos vários tipos de tecnologia ao longo dos séculos e da minha reação de surpresa ao constatar as variadas faces da tecnologia na história da humanidade.
          No texto "Fases do desenvolvimento tecnológico e suas implicações nas formas de ser, conhecer, comunicar e produzir em sociedade" faz-se um passeio delicioso em várias épocas históricas, trazendo conceitos das três fases do desenvolvimento tecnológico - fase da indiferença, fase do conforto e fase da ubiquidade. Uma espécie de mistura homogênea e leve de ensinança e comprovação concreta, dados os exemplos de fácil 'visualização', que ajudam na assimilação de cada fase. Termina-se a leitura sobre essas fases, com a mesma locução interjetiva: "olha, e não é que é mesmo?".
          Apreendidas as características de cada fase, atemo-nos à realidade prática, vivenciada no 'agora': o contexto em que a metáfora primordial é rede. Tudo se faz valorizando-se os grupos, o coletivo. São as equipes os meios e os fins, as causas e as consequências.
            Inevitavelmente, trazendo para o foco profissional da Educação, vemos os alunos navegando em rede o tempo todo e a escola "cachingando" lentamente atrás... Torna-se imprescindível que o professor utilize o contexto do coletivo em sua prática. Buscar no compartilhamento de informações uma estratégia de trabalho; reconhecer na inteligência grupal um dado valioso para a aprendizagem de novas informações, para a diversificação didática.
          Senti a importância de me adequar à pós-modernidade para usufruir das vantagens que a tecnologia dessa época oferece. Agora, o pequenino pássaro da fábula "Fiz o que pude", poderia contar  com a cooperação on-line para traçar e atingir as mudanças que desejava fazer, para apagar o incêndio sócio-instrutivo que alguns desejam atear sobre nós.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016



       Ser professor - uma profissão líquida        

Sobre o texto "Modernidade líquida", de Zygmunt Bauman
                                                          Leitura, reflexões e reações

                 Tive a nítida sensação de estar lendo no texto de Bauman uma metáfora sobre nossa vida profissional cotidiana, em que o tempo é, quiçá em proporções iguais, aliado e vilão. Uma metáfora que alerta sobre os perigos de ter e de não ter o tempo como unidade de medida para uma prática que visualiza mais os fins que os meios. Uma metáfora que nos “sacode” sobre a presença inevitável da instataneidade mesclada pela implacável transitoriedade de tudo o que permeia a vida social e o próprio cenário educativo: a informação, a meta, os conceitos, os desejos e sonhos, o empenho e os anseios, valores e inseguranças, práticas e saberes.

                O texto trouxe à tona uma reflexão importantíssima para nós como educadores e me levou a pensar no que vale mais: ser sólido e estabelecer lugar suprimindo o tempo, mas marcando presença, inabalável; ou ser líquido sem fixar o espaço nem prender o tempo, mas moldando-se, adequando-se, pronto e propenso a mudar qualquer forma?

                 Na prática docente, deveríamos sempre ter em mente que mais valeria, para nós e para nossos alunos, o aproveitamento do evento que hoje se configura facilmente na modernidade: a fluidez. A leitura dos textos provocou em mim essa reação de acreditar que praticamente tudo o que se deixa ser fluido acaba tendo mais atenção, ou ser esperado com mais ansiedade. Há no texto o exemplo do carnaval, que por ser fluido, mesmo sendo cíclico, modifica o estado comum de uma cidade, dando a todos uma outra visão da realidade. Uma visão passageira, veloz, fluida, mas esperada com expectativa. Não é assim no processo ensino-aprendizagem quando se apresenta um elemento novo, uma estratégia adequada ao momento, moldada à situação que se tem visando-se a que se quer?
             
                  Levando para a minha prática, é assim que tento agir: uma mutação cíclica, uma movimentação de práticas, de pedidos, de performances, de atividades propostas, de instrumentos avaliativos, de falas e explicações. Caminhos diferentes para se atingir o fim, que é a aprendizagem.
Foi-nos pedido pela professora Bonilla, como atividade do Mestrado Profissional em Educação, da UFBA, que criássemos um blog pessoal...
Bem, ei-lo aqui. E tenho certeza de que surpresas virão, e estou ansiosa por conhecê-las!!!