Ser professor - uma profissão líquida
Sobre o texto "Modernidade líquida", de Zygmunt Bauman
Sobre o texto "Modernidade líquida", de Zygmunt Bauman
Leitura, reflexões e reações
Tive a nítida sensação de estar lendo no texto de Bauman uma
metáfora sobre nossa vida profissional cotidiana, em que o tempo é, quiçá em
proporções iguais, aliado e vilão. Uma metáfora que alerta sobre os perigos de
ter e de não ter o tempo como unidade de medida para uma prática que visualiza
mais os fins que os meios. Uma metáfora que nos “sacode” sobre a presença
inevitável da instataneidade mesclada pela implacável transitoriedade de tudo o
que permeia a vida social e o próprio cenário educativo: a informação, a meta,
os conceitos, os desejos e sonhos, o empenho e os anseios, valores e
inseguranças, práticas e saberes.
O texto trouxe à tona uma reflexão importantíssima para nós
como educadores e me levou a pensar no que vale mais: ser sólido e estabelecer
lugar suprimindo o tempo, mas marcando presença, inabalável; ou ser líquido sem
fixar o espaço nem prender o tempo, mas moldando-se, adequando-se, pronto e
propenso a mudar qualquer forma?
Na prática docente, deveríamos sempre ter em mente que mais
valeria, para nós e para nossos alunos, o aproveitamento do evento que hoje se
configura facilmente na modernidade: a fluidez. A leitura dos textos provocou em
mim essa reação de acreditar que praticamente tudo o que se deixa ser fluido acaba
tendo mais atenção, ou ser esperado com mais ansiedade. Há no texto o exemplo
do carnaval, que por ser fluido, mesmo sendo cíclico, modifica o estado comum
de uma cidade, dando a todos uma outra visão da realidade. Uma visão
passageira, veloz, fluida, mas esperada com expectativa. Não é assim no processo ensino-aprendizagem quando se apresenta um elemento novo, uma estratégia adequada ao momento, moldada à situação que se tem visando-se a que se quer?
Levando para a minha prática, é assim que tento
agir: uma mutação cíclica, uma movimentação de práticas, de pedidos, de
performances, de atividades propostas, de instrumentos avaliativos, de falas e
explicações. Caminhos diferentes para se atingir o fim, que é a aprendizagem.
Oi, Talita!
ResponderExcluirGostei das suas relações com a prática docente! Necessitamos dessa "fluidez" em nossas vida profissionais.
Um abraço,
Rosângela.
E é quando encontramos textos assim que nos damos conta do quanto precisamos desses "alertas" de vez em quando... A rotina tende a nos cegar.
ExcluirAbraço, Rosângela!
Fico feliz em compartilhar Contigo Talita, anseios e ações que nos possibilita transcender/dissolver "os moldes" sólidos impostos pela verticalização do ensino-aprendizagem nas instituições públicas. Fraterno abraço!
ResponderExcluiro bacana desse movimento é que não há garantias de que chegaremos ao fim desejado... talvez por isso mesmo, muitos preferem não ousar e permanecer no estabelecido, seguro, estável...
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