segunda-feira, 5 de dezembro de 2016



       Ser professor - uma profissão líquida        

Sobre o texto "Modernidade líquida", de Zygmunt Bauman
                                                          Leitura, reflexões e reações

                 Tive a nítida sensação de estar lendo no texto de Bauman uma metáfora sobre nossa vida profissional cotidiana, em que o tempo é, quiçá em proporções iguais, aliado e vilão. Uma metáfora que alerta sobre os perigos de ter e de não ter o tempo como unidade de medida para uma prática que visualiza mais os fins que os meios. Uma metáfora que nos “sacode” sobre a presença inevitável da instataneidade mesclada pela implacável transitoriedade de tudo o que permeia a vida social e o próprio cenário educativo: a informação, a meta, os conceitos, os desejos e sonhos, o empenho e os anseios, valores e inseguranças, práticas e saberes.

                O texto trouxe à tona uma reflexão importantíssima para nós como educadores e me levou a pensar no que vale mais: ser sólido e estabelecer lugar suprimindo o tempo, mas marcando presença, inabalável; ou ser líquido sem fixar o espaço nem prender o tempo, mas moldando-se, adequando-se, pronto e propenso a mudar qualquer forma?

                 Na prática docente, deveríamos sempre ter em mente que mais valeria, para nós e para nossos alunos, o aproveitamento do evento que hoje se configura facilmente na modernidade: a fluidez. A leitura dos textos provocou em mim essa reação de acreditar que praticamente tudo o que se deixa ser fluido acaba tendo mais atenção, ou ser esperado com mais ansiedade. Há no texto o exemplo do carnaval, que por ser fluido, mesmo sendo cíclico, modifica o estado comum de uma cidade, dando a todos uma outra visão da realidade. Uma visão passageira, veloz, fluida, mas esperada com expectativa. Não é assim no processo ensino-aprendizagem quando se apresenta um elemento novo, uma estratégia adequada ao momento, moldada à situação que se tem visando-se a que se quer?
             
                  Levando para a minha prática, é assim que tento agir: uma mutação cíclica, uma movimentação de práticas, de pedidos, de performances, de atividades propostas, de instrumentos avaliativos, de falas e explicações. Caminhos diferentes para se atingir o fim, que é a aprendizagem.

4 comentários:

  1. Oi, Talita!
    Gostei das suas relações com a prática docente! Necessitamos dessa "fluidez" em nossas vida profissionais.
    Um abraço,
    Rosângela.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. E é quando encontramos textos assim que nos damos conta do quanto precisamos desses "alertas" de vez em quando... A rotina tende a nos cegar.
      Abraço, Rosângela!

      Excluir
  2. Fico feliz em compartilhar Contigo Talita, anseios e ações que nos possibilita transcender/dissolver "os moldes" sólidos impostos pela verticalização do ensino-aprendizagem nas instituições públicas. Fraterno abraço!

    ResponderExcluir
  3. o bacana desse movimento é que não há garantias de que chegaremos ao fim desejado... talvez por isso mesmo, muitos preferem não ousar e permanecer no estabelecido, seguro, estável...

    ResponderExcluir