quinta-feira, 19 de janeiro de 2017


UM MUNDO DE POLEGARZINHOS!


Dizem por aí que a leitura te leva a mundos nunca antes imaginados... Outros dizem que a leitura te dá asas. É bem o que sentimos quando nos deparamos com as leituras escolhidas pelos nossos professores do Mestrado Profissional em Educação, da UFBA. E falo sempre no plural porque percebo, ao debater com meus colegas de curso, o mesmo encantamento, a mesma inquietude, a mesma desconstrução organizada para uma reconstrução direcionada.
O exemplo mais recente aconteceu com a leitura e debate de “Polegarzinha”, de Michel Serres.
Um confronto de gerações. O analógico e o digital. A geração ubíqua versus a geração limitada. De cara já se tem uma ideia clara sobre a intenção textual: sondar o terreno, trazer à tona a necessidade de se conhecer nosso aluno, aquele adolescente digital, multitarefa, inquieto, imediatista, criativo, dono de variados neologismos típicos de quem vive em rede.
A escola, a educação, o professor precisam se inserir na rede. Pensar em rede, agir em rede. É necessário nos “acomodarmos” a esse novo modus operandi. Urge que saibamos dialogar, entender e nos fazer entender, entremeando o conhecimento didático, acadêmico, às habilidades de utilizá-los no meio social, como suporte para a vida digital que se leva. Porque, vemos, a sociedade é ubíqua, a informação se dá em rede. A escola não. Ainda tem ranços que atravancam a engrenagem.
E é aí onde entramos para atuar, para mediar, para relembrar o quanto é importante que exercitemos a memória (sim, no mundo digital temos suportes e ajudas que nos fazem usar cada vez menos a memória, exercitar cada vez menos nosso cérebro); a humanidade (as relações se tornam frias e tendemos a nos ‘acostumar’, a ‘naturalizar’ atos, acontecimentos, crimes, corrupção, o que nos faz esquecer nossa humanidade quando perdemos a capacidade de sermos empáticos); as relações afetivas (tendemos a esconder sentimentos nessa realidade de tecnologia informatizada permeada de distâncias globalizadas, de tempo real, de máscaras invisíveis); o legado analógico – porque nós somos analógicos (Bonilla, 2017).
 Inegável que é uma grande responsabilidade. Mas duvido muito que não tentemos fazer a diferença depois de termos sido atingidos por esse texto.
 

2 comentários:

  1. Bacana que os textos estejam provocando vocês. Agora, será que esquecemos a humanidade e as relações afetivas? ou elas se manifestam de formas diferentes?

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  2. Algo inevitável para esse novo contexto é não pensar de que forma a escola "labuta" com essas POLEGARZINHAS. São dois possíveis caminhos: A valorização desse mundo digital, como possibilidade eminente de construir uma educação mais verticalizada, colaborativa e cibercultural, ou na a negação dessa nova educação, voltada a novas formas de interação (agora mais rápida e instantânea) e assim, perder de vista as possibilidades inclusas no entendimento dessa nova geração de polegarzinhos e polegarzinhas.

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